Sexta-feira, 17 de Junho de 2011

De arroubos e arrebatamentos

Se tem duas coisas no mundo que despertam ternura são filhotes (de gatos, especialmente) e abraços.
Essa não é a imagem mais terna que eu poderia encontrar, mas foi uma busca rápida. Aceito sugestões de ícones de ternura.

Cá estou, mais de um ano depois. Que surpresa, não? E vim porque me dei conta que, sim, eu gosto de escrever. E muito. E acho que é bom encontro pra mim cultivar a escrita. Tenho esse desejo latente. Mas é tanto desejo latente que, juntando com tudo "o que é necessário", nem dou conta de vivê-los. É um paradoxo! Mas eis que, de repente, me arrebatou a escrita. Um arroubo. Gosto tanto desta palavra. Não é bonita, mas acho que define bem o que pretende. Me lembra arrastão, arrebatamento, esta última é, de fato, ao que se refere. Me lembra também de redes, peixes, de mar, e me remete a ondas violentas. Não tsunamis, nada devastador, mas ondas firmes e marcantes. Eu costumo usar numa expressão que, para mim, eu que cunhei (Ou seja, talvez - e é provável - alguém já tenha dito, mas eu nunca vi.): "arroubo de ternura". Me dá, às vezes. Aquela coisa que vez por outra passa por você e te faz, invariavelmente, sorrir, e geralmente dizer "óóóunnn", e, quando possível, abraçar (ou beijar, ou morder!) o alvo e provocador dessa onda. Terno, não? rs

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Lembro sempre de uma situação que, na minha memória, foi a mais enternecedora que vivi até hoje. Minha afilhada, que hoje tem 8 anos, tinha entre 2 e 3 anos, uma minipessoa. Estávamos numa festinha - um jantar de amigos adultos na casa dela. Casa de sua mãe, sua vó, etc. Em dado momento, nos pegamos sentadas no mesmo sofá. Ela cumpria seu papel de criança e brincava. Desenhava, etc. Eu tive um arroubo de ternura e, sentada a seu lado, ambas distraídas, mil coisas rolando, lhe dei um abraço. Assim, grátis. Nem pensei a respeito, talvez nem tivesse notado que a abracei, não fosse a sua reação. Foi uma abraço silencioso, discreto, gratuito. Mas Luiza, pequeninha, exclamou, espontânea, sincera, serena: "bigada, dinda". "Bigada, dinda"! Eu não sei se dá pra apreender o que isso significa ou significou, porque talvez nem mesmo eu saiba. Eu simplesmente DERRETI! No momento, e quando relembro... renovou minha fé no mundo! É óbvio que agradecer é uma convenção (será?!), que ela, pequenininha, já estava treinada a aplicar. Mas curtir ternura - e vincular isso a algo "agradecível" - não é algo que alguém ensine. Pelo menos não conscientemente. Enfim, não vem ao caso explicar demais. Mas foi um momento muito bonito que ficou marcado, e creio que nunca esquecerei.
Um dia ainda vou ser a velha madrinha que conta essa entre outras histórias para a afilhada que já virou mulher. :)

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A propósito: de que mais dá pra ter arroubos?


Quarta-feira, 3 de Março de 2010

O poder criador da procrastinação


Me ajudou muito, sabe? Se o resultado foi bom, ainda não sei, mas me ajudou a ficar mais calma. ;)

Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

A internet é livre?

Tão livre quanto as outras instâncias (?!) sociais, eu diria. Antes de mais nada, quem diz o que quer (embora todos ouçamos o que não queremos vez ou outra)?
E depois, a vida online é tão cerceada, pisoteada e sufocada quanto a vida do tête-à-tête.

Nesses fluxos sem fim, eternos recomeços e incertezas, colaboro brevemente com a chamada do #mutsaz! de dezembro compartilhando essa inquietação que perpassa nossos temas e reflexões presentes na Rede e nas redes desde.

E o que você acha que é? Eu acho que é "esse negócio de potência da vida". É isso que não queremos deixar sufocar. Em ti, em mim, em nós. Salve!, pois.

Cá entre nós, nada como um repositório virtual universal do conhecimento e da arte humana! Eu posso colar um Caravaggio aqui ("A morte da virgem", 1606) e fazer o resto do mundo se perguntar o que isso tem a ver com potência da vida, rede ou metareciclagem. Alguém arrisca?!

Domingo, 13 de Dezembro de 2009

O Junturas voltou!


Tô feliz, o Junturas saiu do limbo, onde estava por "problemas técnicos". Vou tentar lembrar de todas as ganas de escrever que tive nesses dias, ou pegar novas e repartir por aqui.
Até logo!

:)

Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Pornografia e obscenidade



«O que elas são depende por completo da pessoa, como é hábito. O que é pornografia para um homem, faz-se riso do génio para outro.
Ao que se diz, a própria palavra significa «pertencente às prostitutas» - o sinal da prostituta. Mas o que é hoje em dia uma prostituta? Se for uma mulher que exige dinheiro ao homem para ir com ele para a cama – a verdade é que em tempos idos muitas esposas se venderam, e muitas prostitutas existem que se entregam de graça quando para aí lhes dá. Se uma mulher não guardar em si um leve traço de prostituta, regra geral é insonsa e vulgar. E provavelmente muitas prostitutas têm um leve traço de generosidade feminina num ponto qualquer do seu carácter. Por que havemos de ser tão drásticos e tão severos? A lei é uma coisa enfadonha, e o seu julgamento nada tem a ver com a vida
D. H. Lawrence, in Pornografia e obscenidade, 1925.
"um panfleto contra a manha dos costumes e contra o medo de existir sexualmente."


Mais sobre o tema em E é bem bom!
E na vida, é claro!

Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Distração, insônia, cognição inventiva

A imagem é uma referência ao uso de Ritalina (metilfenidato), medicamento que vem sendo usado indiscriminadamente há anos especialmente em crianças rotuladas como portadoras de TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Sobre usos do medicamento, encontramos que "TDAH é um transtorno metabólico neural, que resulta em comportamentos mal adaptados" e que "Seu mecanismo de ação no homem ainda não foi completamente elucidado"...


No final do processo careta e burocrático que culmina na obtenção de um "grau de mestre", após a apresentação de uma pesquisa, defenderei, em breve, perante à banca, minha dissertação de mestrado.
Eu achar o processo careta e burocrático não diminui o valor disso pra mim - vale dizer que passei por um processo que pelo menos tenta ser menos careta; menos burocrático não dá. Creio que importante disso tudo foram as transformações que sofri, transformações certamente inevitáveis, pois fruto do simples passar do tempo, mas também variáveis, dependendo dos rumos que se toma.
Descobri que realmente gosto de me debruçar sobre livros, e gosto, embora um pouco menos, de escrever e tentar produzir coisas a partir daí. Acho que o mais legal são as coisas que são produzidas a partir daí na prática, mas isso é bem mais difícil de mensurar. Também confirmei que tenho energia demais para ficar muito tempo parada, e meus estudos são interrompidos a cada 20 minutos para buscar um outro livro, um artigo no google, um apontador, um post-it, pedir uma dica a alguém, ou, no mínimo, mergulhar numa palavra no dicionário. A menos que eu esteja muito cansada, por não ter dormido, por exemplo.
Já vivi, li e vi o suficiente para não menosprezar ou condenar isso. Inclusive descobri pelo caminho, com Virgínia Kastrup, o conceito de cognição inventiva, e passou a fazer parte de mim a ideia de que o distraído é alguém extremamente concentrado, cuja atenção está em outro lugar: nas suas reminescências, conjecturações, ou mesmo numa outra janela na internet, vivenciando em si a experiência do hipertexto. Afinal montar uma dissertação não é propor links entre diversas coisas já ditas, montando um hipertexto original?

***

Esse jeito flutuante de estudar, passando de uma tela a outra, querendo saber mais de mil assuntos, tem se refletido na minha vida profissional, de certa forma. Passei por empregos tão díspares que até assusto as pessoas contando. Parece que uns acham curioso, quase legal, mas a maioria parece achar que sou uma coitada sem rumo ou no mínimo sem "estratégia", e consequentemente não vou "chegar a lugar nenhum". A minha opinião, evidentemente, varia, dependendo do grau de angústia, auto-estima, otimismo, cansaço, etc. Acho que ainda vou "achar meu rumo", talvez inventando uma nova profissão. Ou que já estou fazendo meu caminho (disso tenho certeza) e que ele vai ser assim mesmo, ziguezagueante, porque também as vidas não tem nenhuma obrigação de serem coerentes ou... retas. Mas às vezes também acho que tenho que parar tudo e decidir, escolher uma profissão, fazer especializações, currículos só numa área, quem sabe terapia pra "decidir quem eu sou", às vezes tenho a impressão de que não concluo nada, impressão que, submetida à prova, não se verifica.


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Desde que me dou por gente, sempre dormi tarde, mesmo contrariando ordens paternas. E tenho imensa dificuldade para "madrugar". Se tiver que acordar pela manhã, um horário aceitável para mim são 09h. Que aliás, é a quantidade de horas que eu durmo, se puder dormir à vontade, o que é bem raro. Por conta da escrita, rapidamente me vejo entrando madrugada adentro acordada, às vezes ansiosa, caso tente me forçar a dormir. (E os estimulantes ou calmantes são todos produzidos no meu corpo mesmo.)
Percorri esse longo caminho para começar a falar do que me trouxe até aqui: Estou acordada, é madrugada, estou ansiosa, não tem ninguém acordado pra eu conversar. Acabei criando um monólogo que não acrescenta nada a ninguém, e me envergonha um pouco, mas que ao menos me tranquilizou. Fico em dúvida se isso deveria ser público ou um diário guardado numa gaveta (mesmo que ninguém vá ler!), e publico esperando que seja só uma primeiro passo para tentar escrever coisas melhores de vez em quando. Afinal, tá cheio de blog por aí que serve pra isso, né? (autoconsolo...)

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Para que não seja totalmente inútil a um leitor desavisado que eventualmente chegue até o fim, segue o link do artigo da Virgínia Kastrup: http://www.psicologia.ufrj.br/pospsi/aprendizagem.pdf

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Fotografias recortadas amiúde

Toda a vida eu quis ter uma câmera. Eu viajava, passeava, e nos meus passeios eu via cenas enquadradas, pequenos detalhes da paisagem, cores vibrantes, dias azuis, e me torturava por não poder fotografá-las.
Hoje eu tenho uma câmera, ela já fez uns dois ou três aniversários, e já foi até muito boa para um amador - e evidentemente em seis meses ficou defasada. Eu tenho uma câmera, e tenho até uma conta "pró" no Flickr (rs), e eu não tenho mais a gana de fotografar. Se fotografo, nem nunca mais volto a elas... Onde foi que se perdeu? O quê, afinal, se perdeu? Ou será que fui eu que me perdi?
Será que tá faltando um pouco mais de céu azul? Ou quem sabe fins de semana mais frouxos, o velho jogo de cartas, chimarrão, caipirinha, cachorros, bergamota, um pouco de não-ter-o-quê-fazer...
É estranho o quanto nos enredamos em zilhões de projetos, trabalhos, estudos, compromissos sociais... o que falar das milhares de atualizações desatualizadas do google reader! E de repente cá estou, com um tempo para um post, aos 77 anos...

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